Turmalina
Do verde acessível à Paraiba a preço de diamante. Guia das variedades, de por que a orientação da lapidação decide a cor e do que verificar antes.

A turmalina não é uma única gema. É uma família de minerais borossilicatados aparentados que ocorre numa gama de cores mais ampla do que qualquer outra espécie gemológica, e uma pedra que pode ser rosa numa extremidade e verde na outra continuando a ser um só cristal. Comprá-la significa primeiro decidir que turmalina quer realmente.
Essa variedade é também a razão de o intervalo de preços ser tão extremo. A turmalina verde comum é uma pedra acessível. A Paraíba cuprífera, descoberta no Brasil em 1989, atinge valores que a colocam entre as gemas mais caras do planeta. Ambas se chamam turmalina com toda a propriedade.
Esta página mapeia as variedades, explica porque a orientação da lapidação conta aqui mais do que em quase todo o lado, e percorre o que verificar antes de comprar solta.
As cores da turmalina
Todas as cores, e muitas vezes várias ao mesmo tempo. A química do grupo é suficientemente complicada para que pequenas variações nos elementos vestigiais produzam resultados completamente diferentes, e um mesmo cristal muda com frequência de cor ao longo do seu comprimento.
- Rubelite. Vermelha a rosa vivo. Os vermelhos mais valorizados rivalizam no aspeto com o rubi e são cotados a sério.
- Indicolite. Azul, de um ganga suave a um tom profundo e tinta. Pouco comum e procurada.
- Verdelite. Verde, a mais familiar e em geral a mais acessível. A turmalina de crómio é uma variante verde-esmeralda intensa e custa muito mais.
- Paraíba. Azul a verde néon, colorida por cobre. Descoberta no Brasil e encontrada depois em Moçambique e na Nigéria. Entre as gemas mais caras do mundo.
- Melancia e bicolor. Núcleo rosa com bordo verde, ou duas cores ao longo de um mesmo cristal. Muitas vezes lapidada em fatias para mostrar o padrão.

Onde se extrai a turmalina
O Brasil é a fonte clássica e a origem da Paraíba, de pequenas minas do estado que lhe deu o nome. África fornece hoje uma grande parte: Moçambique produz material cuprífero vendido como tipo Paraíba, e a Nigéria, Madagáscar, a Namíbia e a Tanzânia contribuem todos.
O Afeganistão e o Paquistão produzem bons rosas e verdes, e os Estados Unidos têm jazidas históricas no Maine e na Califórnia. No caso concreto da Paraíba, a origem afeta realmente o preço, e uma pedra que reclama origem brasileira a preços brasileiros exige um relatório de laboratório.
Dureza e resistência no uso diário
A turmalina tem entre 7 e 7,5 na escala de Mohs sem clivagem, o que faz dela uma pedra prática para uso regular e bastante mais tolerante do que a dureza sozinha sugere.
A ressalva é interna. A turmalina cresce muitas vezes com inclusões líquidas e fraturas, e material muito incluso pode ser frágil a mudanças bruscas de temperatura. É também piroelétrica e piezoelétrica, ou seja, desenvolve carga estática quando aquecida ou comprimida e atrai pó, o que é uma curiosidade e não um problema. Evite ultrassons e vapor em pedras inclusas.
O tratamento e o que é comum
O aquecimento é rotina e serve para clarear material verde e azul demasiado escuro e para melhorar alguns rosas. É estável e permanente. A irradiação usa-se em parte do material rosa e vermelho para aprofundar a cor, e também é estável, ainda que deva ser sempre declarada.
A melhoria de pureza com resinas ou óleos aparece em material muito incluso, em particular a rubelite, que é a variedade com maior probabilidade de estar inclusa. Esse tratamento não é permanente como o calor, e altera tanto o valor como os cuidados que a pedra exige. Pergunte expressamente e peça a resposta por escrito.
O que separa uma boa turmalina de uma excelente
A cor domina, mas a turmalina acrescenta um fator que a maioria das pedras não tem: a forma como a pedra foi orientada na roda de lapidação pode mudar por completo a sua cor aparente.
Cor
Vivo e saturado ganha em todas as variedades. Atenção sobretudo às pedras que ficam escuras e fechadas com pouca luz, uma falha comum em material verde e azul profundo. Na Paraíba, é a qualidade néon específica que justifica o preço, e uma pedra apenas azul-esverdeada e brilhante não é de todo a mesma coisa.
Pureza
As expectativas variam consoante a cor, o que é invulgar. A turmalina verde e azul deve ser limpa a olho nu. A rubelite está inclusa com muitíssima frequência, e aí toleram-se inclusões visíveis como não se toleram noutros lados, em troca da cor. O preço deve refleti-lo.
Lapidação
A turmalina é fortemente pleocroica, mostra cores diferentes ao longo de direções cristalinas diferentes e é habitualmente muito mais escura ao longo do cristal do que na transversal. O lapidário tem de orientar o bruto para que a melhor cor fique de frente, o que muitas vezes implica aceitar uma forma alongada e perder peso. É por isso que tantas turmalinas são lapidações esmeralda e ovais alongados. As pedras mal orientadas ficam escuras e mortas, e nenhuma cravação as salvará.
Peso em quilates
A turmalina verde e rosa está disponível em tamanhos grandes e limpos a preços razoáveis. A boa indicolite e a rubelite sobem mais depressa. A Paraíba é escassa em qualquer tamanho, e pedras acima de um par de quilates são excecionais.

Quanto custa uma turmalina solta
Nenhuma outra espécie gemológica abrange um intervalo semelhante. A turmalina verde comercial é modesta. A boa rubelite e a indicolite são pedras sérias a preços sérios. A Paraíba brasileira certificada de boa cor está entre o material mais caro por peso no mercado, à frente da maioria dos rubis e safiras.
- A variedade fixa a faixa antes de se considerar qualquer outra coisa.
- A saturação decide a posição dentro dessa faixa.
- A orientação da lapidação decide se chega a ver a cor.
- A origem conta no caso concreto da Paraíba, e aí um relatório vale o que custa.
Significado, simbolismo e a pedra de outubro
A turmalina tem sido associada à inspiração criativa e à proteção, e a sua gama de cores deu-lhe fama de pedra de muitos estados de espírito. Os comerciantes holandeses do século XVIII usavam cristais aquecidos para tirar a cinza dos cachimbos, depois de notarem a carga estática que dá à pedra o seu nome no comércio.
Partilha outubro com a opala e é um presente tradicional para o oitavo aniversário. Veja a nossa página da pedra de outubro ou o guia das pedras por mês.
Porquê comprar a pedra solta
A turmalina é o argumento mais forte de toda esta série para comprar solto, porque o pleocroísmo significa que a mesma pedra pode ler-se como duas gemas diferentes consoante a forma como foi orientada. Um anel acabado já decidiu isso, e raramente o diz.
Comprada solta, a lapidação e a sua orientação fazem parte do que lhe é dito sobre a pedra, que é exatamente o que uma pedra montada deixa por dizer.
- Sabe o que se passa com o pleocroísmo. Que a boa cor fique de frente é uma propriedade da lapidação.
- Sabe como se lê com pouca luz. Os verdes e azuis profundos fecham-se, e isso merece ser perguntado.
- Julga as inclusões pelos seus próprios critérios. Sobretudo na rubelite, onde são normais.
- Constrói em torno da sua pedra. As cores pouco comuns merecem desenhos feitos para elas.

Desenhar em torno de uma turmalina solta
A cor decide o metal. Os rosas e a rubelite são parceiros naturais do ouro rosa, que os aprofunda, e dos metais brancos, que os fazem ler-se mais frios e limpos. Os verdes ficam lindíssimos em ouro amarelo. A Paraíba e a boa indicolite pertencem à platina ou ao ouro branco, onde nada compete com o azul.
Como a turmalina é muitas vezes lapidada comprida, presta-se a desenhos alongados, a cravações na horizontal e a peças construídas em torno de uma só pedra distintiva. Veja cravações de anel e escolher um metal, ou comece em desenhe o seu próprio anel (abre em nova aba).
Uma breve lista de verificação
- Decida que variedade quer antes de olhar para preços.
- Rode a pedra para verificar o pleocroísmo e confirmar que a melhor cor fica de frente.
- Veja-a com pouca luz além de luz forte, sobretudo em verde e azul.
- Pergunte por calor, irradiação e qualquer melhoria de pureza, por escrito.
- Para a Paraíba, exija um relatório de um laboratório importante.
- Julgue a pureza da rubelite face a outra rubelite, não face a esmeralda ou safira.
Perguntas frequentes
Porque a turmalina surge em tantas cores? Porque é um grupo de minerais aparentados e não um só, e pequenas diferenças em elementos vestigiais como ferro, manganês e cobre produzem cores muito diferentes. Essa flexibilidade química é única entre as espécies gemológicas comuns.
O que é a turmalina Paraíba? Turmalina cuprífera com um brilho néon azul a verde característico, encontrada pela primeira vez no estado da Paraíba, no Brasil, em 1989 e depois em Moçambique e na Nigéria. Está entre as gemas mais caras do mundo, e o material brasileiro obtém um prémio sobre o africano.
A Paraíba africana é igual à brasileira? Quimicamente é a mesma turmalina cuprífera, e as melhores pedras africanas são magníficas. O comércio continua a cotar mais alto o material brasileiro, pelo que a origem deve estar documentada por um laboratório quando é cobrada.
Que dureza tem a turmalina? Entre 7 e 7,5 na escala de Mohs e sem clivagem, o que se adequa ao uso diário. As pedras muito inclusas, em particular a rubelite, exigem mais cuidado porque as fraturas internas as tornam vulneráveis a pancadas e a choques térmicos.
A turmalina é tratada? Muitas vezes. O aquecimento para clarear material escuro é rotina e estável. A irradiação usa-se em alguns rosas e vermelhos. A melhoria de pureza com resina aparece em rubelite inclusa e é menos permanente, por isso pergunte expressamente pelas três coisas.
Porque algumas turmalinas parecem escuras? Normalmente por má orientação da lapidação. A turmalina é fortemente pleocroica e é muito mais escura ao longo do eixo do cristal, pelo que uma pedra lapidada para peso e não para cor pode parecer quase preta de frente. Uma pedra bem orientada do mesmo bruto parece outra gema.
O que é a turmalina melancia? Um cristal com núcleo rosa e bordo exterior verde, normalmente lapidado em fatia para que ambas as cores apareçam juntas. É um padrão de crescimento natural e não um tratamento.
A rubelite deve estar inclusa? Em regra sim. A rubelite cresce com mais inclusões do que a maioria das turmalinas, e o comércio aceita inclusões visíveis em troca de uma boa cor vermelha ou rosa. Julgue-a face a outra rubelite e não face a material verde limpo.
Como devo limpar joias com turmalina? Água morna, sabão suave e uma escova macia. Evite por completo ultrassons e vapor em pedras inclusas, e em qualquer pedra que possa ter recebido melhoria de pureza.
A turmalina pode ser usada num anel de noivado? Sim, e a sua gama de cores faz dela uma escolha popular para um anel distintivo. Escolha uma pedra razoavelmente limpa e uma cravação que proteja a cintura. Veja o nosso guia sobre desenhar um anel de noivado.
Para ver o que está disponível, explore a coleção de turmalinas soltas (abre em nova aba), ou comece por um desenho e crie o seu próprio anel (abre em nova aba) em torno de uma pedra. A turmalina varia dentro de uma só espécie mais do que qualquer outra gema, por isso contacte-nos (abre em nova aba) e alguém que lida com estas pedras todos os dias ajudará a estreitar a escolha.